domingo, 22 de novembro de 2009

(Recuperando 2): Amor


Texto que escrevi no blog "Observações Niilistas" em 02/05/2008:

Muito se fala na palavra amor e na busca do seu real significado. Incluisive muitos crentes usam como argumento que o amor é algo que não pode ser visto, mas sentido, e ninguém duvida de sua existência, então o mesmo aconteceria com deus... Claro que esse argumento serve também para provar a existência de anjos, fadas, gnomos, enfim... um argumento perfeito partindo de uma mente crente.... ( Se você achar que eu estou sendo irônico, não se espante: eu estou sendo irônico mesmo...)

Procurei várias definições de amor e, por incrível que pareça, a que mais chegou próximo daquilo que eu penso está na wikipédia, site este muito contestado :

"A palavra amor (do latim amor) presta-se a múltiplos significados na língua portuguesa. Pode significar afeição, compaixão, misericórdia, ou ainda, inclinação, atração, apetite, paixão, querer bem, satisfação, conquista, desejo, libido, etc. O conceito mais popular de amor envolve, de modo geral, a formação de um vínculo emocional com alguém, ou com algum objeto que seja capaz de receber este comportamento amoroso e alimentar as estimulações sensoriais e psicológicas necessárias para a sua manutenção e motivação."

Parece simples, não é? Pra mim sempre será simples, mas como é uma palavra cujo significado vai além do simplismo, sempre haverá alguém para contestar essa definição.

O meu modo de ver vai muito além dessa definição do autor desse ensaio na wiki, apesar de eu achá-la muito boa.
Muitos dirão que não, mas a verdade é que você pode amar uma pessoa, seja ela um filho, um familiar ou um(a) pretendente, mas também pode amar o seu carro, o seu celular, a sua profissão, o seu cachorro..

Qual é o objeto maior do seu amor? Seu filho, sua mãe, namorado(a), o carro novo..?
Não, o maior objeto do seu amor é você mesmo. Você ama, acima de tudo, a você propriamente dito, pois o sentimento de afeto, carinho ou amor que você dispensa a outrem é o sentimento da felicidade da presença ou a tristeza da falta desse objeto.
Você não ama o seu conjuge e sim a presença dele(a) e o que isso lhe traz de satisfação e felicidade. É a você que esse amor é dispensado quando está apaixonado, ao seu prazer de estar ao lado da pessoa que lhe faz sentir bem.
Quando você ama o seu filho é porque isso lhe dignifica como pessoa, como pai ou mãe e você está amando literalmente esse sentimento magnífico que a presença de um filho proporciona...
Quando você dá a vida por esse filho é para, inconscientemente, não sentir a dor da perda do mesmo. Quem em sã consciência não escolheria morrer para salvar um filho se a sua morte, de alguma maneira, garantisse que o seu filho continuasse a viver? Você está se amando na figura do seu filho, pois isso lhe faz sentir melhor, mais humano e mais feliz.

Mesmo quando você está apaixonado por alguém que não lhe quer ou , platonicamente, por alguém que nem ao menos desconfia de seus sentimentos é na intenção de se proporcionar o prazer de estar ao lado dessa pessoa, de sonhar com os bons monentos que possam advir dessa possível relação.
Você ama o seu cachorro porque ele lhe proporciona bons momentos de convivência e lhe faz sentir menos solitário. O mesmo serve para o seu carro, seu celular, isto, é claro, levando-se em conta se você diz que ama esses objetos. Eu não me importo muito com o meu celular, mas posso dizer que eu amo o meu computador pois me habituei ao prazer que ele me proporciona, mas se eu conseguir um computador mais potente e eficiente que o meu, troco sem pestanejar...

Um religioso que faz de sua vida um objetivo de ajuda ao próximo está amando a possibilidade de, após a morte, ser recompensado por isso segundo as promessas de sua religião. Ele, na verdade, não ama o próximo como a si mesmo, como Jesus teria falado, mas sim a promessa do mesmo aos que assim agirem.
O amor em si é uma relação de costume e afeição ao objeto que lhe traz o prazer do seu convívio.

A sua mãe sempre será amada por você. Imagine-se sem ela... Imagine a sua dor quando da perda de sua mãe. Assim como você não quer que ela venha a falecer, também não quer sentir a dor dessa perda. São coisas conjuntas, mas o que lhe faz abominar a idéia da perda é exatamente o sentimento de tristeza que você herdará com isso.
Sei que vendo por esse ponto, inicialmente, você poderá discordar, mas reflita e verá que eu tenho razão.

O amor nos é importante pelo sentimento de prazer que ele nos traz e com isso partilhamos esse sentimentos com a pessoa amada.
Claro que teríamos de definir em níveis diferentes o amor familiar do amor entre duas pessoas, do amor ao seu animal de estimação e aos seus objetos pessoais, mas no final todos eles lhe proporcionarão a mesma coisa: o sentimento de satisfação pela existência deles em sua vida.

O amor passa a ser então aquele sentimento de prazer pela existência desse algo, seja pessoa ou objeto, em sua vida, proporcionando-lhe prazer e felicidade e, em contrapartida, há uma troca de sua parte tentando proporcionar a mesmo coisa a esse objeto de sua satisfação, em um sentimento de reciprocidade e reconhecimento.

De que lhe adiantaria gostar de uma pessoa, por exemplo, se você não sentisse prazer e satisfação por estar junto a mesma? Se isso não acontecesse você, na verdade, não gostaria dessa pessoa.

Existem também aqueles que amam a solidão e o prazer que isso traz a sua vida, como a paz, a tranquilidade de não precisar dividir nada, seja material ou sentimental, com outras pessoas.
Todo o ser humano é egoista, no bom sentido da palavra...
Na verdade amamos a nós mesmos e a figura do outro é apenas um complemento para a nossa felicidade.

Mas agora entenda caro apologista cristão: é impossível amar a Deus sobre todas as coisas, pois o amor vem de dentro pra fora. Se você amar a deus é porque está esperando uma troca, ou seja, a vida eterna no paraíso ou algo assim e nunca pelo simples fato do seu pastor ou padre dizer que isso é o certo. Você não está amando a Deus e sim à possibilidade que o mesmo lhe proporciona de um prêmio após a vida. É a maravilhosa troca do amor...

Mas, analisando mais friamente, não é amor a deus e sim interesse pelo medo.
Deixa eu explicar: se eu amar uma mulher e não houver reciprocidade, eu tenho a alternativa de ficar sofrendo ou de ir atrás de um outro objeto feminino de desejo e que talvez me proporcione mais felicidade do que aquela que me rejeita, já o amor a Deus, segundo a ótica cristã, é um caminho de de duas vias: ou ama-se a Deus e se alcança o paraíso, ou se, por qualquer motivo, você não quiser amar a esse deus, ele lhe castigará eternamente no fogo do inferno.

Isto me parece muito com aqueles caras que brigam com a namorada e, para que ela não seja de mais ninguém, assassinam-na covardente.
"Ou serás minha ou de mais ninguém..." ---- coisa mais infantil....

Nenhum comentário:

Postar um comentário