
Deus..! Bem, depois de muito pensar na forma de tratamento que eu deveria usar para tentar uma “conversa” com um deus no qual não acredito, cheguei à conclusão que devo chamá-lo de “caríssimo”. Nada mais apropriado, levando-se em conta que, se acaso, eu estiver errado e você realmente existir, e, sendo como consta na bíblia, um ser onipotente, rancoroso e vingativo, onde a condição básica para não ser castigado é a devoção extrema a você, chamá-lo de “caríssimo” talvez conte algum pontinho na hora em que você resolver julgar a todas as criaturas humanas pelo gravíssimo pecado de raciocinar...
Caríssimo também me lembra a palavra “caro”, sinônimo de dispendioso, oneroso e reporta á idéia de valores extremos, pecuniariamente falando, pois sabemos que na história da humanidade, nada e nem ninguém, arrecadou (e ainda arrecada) tantas riquezas como o seu nome e o nome de seu filho, que segundo alguns seria você mesmo. Nada lucrou tanto como a idéia de um deus amoroso, mas que castiga cruelmente caso você ouse a questionar este amor que só aceita uma forma de se amar –a sua- e de seu filho que teria vindo ao mundo para sofrer e nos livrar de um pecado que não fomos nós quem cometemos e mesmo assim, não nos livramos desse “pecado”. São por essas e outras questões obscuras que eu gostaria de conversar com você para tentar entender esse caminho tortuoso e humilhante que nós, seres humanos, devemos percorrer para sermos aceitos pelo seu “amor incondicional” que impõe inúmeras condições para a nossa salvação, seja lá o que isso signifique... Então vamos recomeçar:
Caríssimo deus, tenho lido muito o seu livro sagrado, a bíblia, e quanto mais eu leio, mais sinto que algo (ou vários algos, se é que existe tal expressão) não se encaixa. Quero começar pela criação, que segundo consta na história bíblica, você criou Adão e Eva, que seriam os nossos ancestrais primeiros, colocando-os em um paraíso e afirmando que seria o tal casal criado a imagem e semelhança de seu criador, ou seja, de você. Depois lhes proibiu de provar o fruto de uma árvore, o que lhes permitiria um conhecimento acerca do bem e do mal. Interessante essa história...
Se nós fomos criados a sua imagem e semelhança, na figura de Adão e Eva, no que consiste essa “imagem e semelhança”? Imagem e semelhança física? Não creio... Segundo a unanimidade dos estudiosos religiosos, chamados teólogos, essa semelhança entre criador e criatura seria consubstancial. Teríamos sido criados com a mesma essência do criador, teríamos os mesmos anseios, capacidade de entendimento e de raciocínio de quem nos criou, guardadas as devidas proporções, é claro. Mas, sendo assim, você não anteveria (já que, de acordo com os teólogos, você é onisciente) que o casal primeiro indubitavelmente acabaria por experimentar o tal fruto proibido? Pois se somos feitos a sua imagem e semelhança algo me diz que a curiosidade, a sanha pelo desconhecido e pela novidade nos foi herdado de você, ou estou enganado? Ou por um acaso você, que é perfeito, nos cria de uma maneira imperfeita, sabendo de nossos defeitos e aguçando-os para poder nos castigar depois? Isto não é muita maldade? É como criar um hamster dentro de uma gaiola e colocar a comida em uma ratoeira só para testá-lo. É disso que consiste o seu amor incondicional? Não seria mais fácil ter-nos feito perfeitos de uma vez? O que aconteceu então no Éden? Um experimento? A raça humana foi castigada eternamente porque você fez uma pequena experiência, mesmo sabendo de antemão o resultado? Você parece que gosta de “joguinhos”, como fez com Jó, Jonas, Abraão e tantos outros...
Eu vejo por mim, através da relação que tenho com os meus filhos. Quero que eles adquiram a maior quantidade possível de conhecimento, através do estudo, da educação e da informação, mesmo que isto signifique que eles venham a adquirir, no futuro, mais experiência e sabedoria do que eu. Não tenho medo de que, amanhã ou depois, eles venham a me superar nesses quesitos, muito pelo contrário, terei um imenso orgulho de pai ao saber que todo o apoio que dispensei para que eles tenham uma formação intelectual e saibam usar a capacidade de raciocínio que possuem tenha valido a pena, mesmo que isso signifique que a opinião deles venha a ser diferente da minha em determinados assuntos; quero que eles possuam a capacidade própria de tomar decisões e de formular suas conclusões acerca do mundo que os cerca. Não tenho o medo da superação, o que parece não ocorrer com você...
Outra coisa que me deixa curioso é o fato de que um ser que, segundo consta, seria perfeito, haver criado a imperfeição em sua mais importante criação: o ser humano. Pois veja, primeiro você criou o mundo, os seres e o homem e ficou feliz achando que estava tudo bem, depois expulsou Adão e Eva pelo fato de que eles não corresponderam a sua expectativa, depois foi o dilúvio, que não deu certo, pois os seres humanos pós-dilúvio não foram aquilo tudo que você esparava deles. Tem Jesus também, que mais uma vez, dentro de um contexto sangrento -o que me parece ser o sua expecialidade- teve de morrer para purgar os nossos pecados (aquela história que não ficou muito clara ainda, mas tudo bem...), sem falar em sodoma e uma vasta gama de soluções sangrentas que você teve de tomar por causa de que, como um mau carpinteiro, os pilares de sua criação, de tempos em tempos, vai ruindo. Talvez você, ou algum defensor ferrenho seu, venha me dizer que a culpa é nossa e não sua, mas tenho minhas dúvidas quanto a isto...
Tenho um amigo que trabalha na construção civil e decidiu construir sua própria casa. Faz uns 15 anos que ele, nos momentos em que está em de folga do trabalho, constroi, edifica, move o concreto, enfim... Chega um dia que ele olha e diz: perfeito, é isto mesmo, está ótimo! – passam-se alguns meses e aparece uma infiltração de água aqui, uma rachadura na parede ali e assim por diante, então ele recomeça, destroi aqui, constroi ali e assim sucessivamente, numa construção que parece não ter mais fim. A quem devemos culpar nesse caso? A casa ou o construtor?
Outra dúvida que me corroi por dentro: qual o motivo na sua insistência quase doentia de ser idolatrado? Claro que no seu caso até deveria ocorrer uma consideração paternal e tudo mais, mas você exagera um pouco. Todas es exigências que fez a Moisés, coitado, com querobins de ouro, vestes caríssimas (fico imaginando de onde saiu tantou ouro para satisfazer as suas exigências, já que estamos falando de um povo que vagou no deserto, sedento e sem ter praticamente o que comer...) e os sacrifícios carnificínicos que você tanto gostava (depois mudou de idéia, não é mesmo..?).
Veja por exemplo o caso dos 10 mandamentos, onde os 4 primeiros são exclusivamentes uma alusão à adoração e ao respeito que devemos ter para com você e somente os demais referem-se ao convívio entre os homes, como não matar, não roubar e etc... Jesus teria afirmado: amar a deus sobre todoas as coisas e amar o próximo como a si mesmo”, mais uma vez vem em primeiro plano a suprema idolatria de que você tem necessidade. Por que tudo isso? Não falta ai um pouquinho de humildade? “Mas trata-se de deus!” - Você ou algum defensor automaticamente dirá... Sim, até concordo, mas diante das narrativas e exigências bíblicas, o que nos dá a entender e que você nos criou com o único objetivo de enautecê-lo, e quem não o fizer será castigado eternamente. Não quero criticá-lo abertamente assim, já que me dispus a uma conversa com você, na tentativa de entender inúmeros pontos que não se encaixam em sua filosofia bíblica. Você certamente me diria, se viesse a me responder, que eu devo acreditar cegamente, jamais questionar e aceitar hipnoticamente, como fazem inúmeras pessoas pelo mundo afora, que preferem não raciocinar e que passam a vida gritando ao quatro ventos que acreditam e serão salvas, sem saber ao certo no que acreditam e de que realmente serão salvas. Mas o mundo já não é mais assim, as coisas mudam e a figura do pai autoritário que impõe aos filhos apenas um ponto de vista e que castiga severamente aqueles que ousam questioná-lo está fora de moda. O pai que hoje faz o filho ajoelhar-se no milho e que usa a chibata como educação é passível de responder criminalmente os seus atos. Temos uma justiça capenga, é verdade, mas estamos tentando ajustar as coisas e fazer com que a injustiça seja banida. E eu acho uma extrema injustiça condenar uma pessoa eternamente às mais humilhandes agruras somente pelo fato de pensar racionalmente e de ter o poder de formular suas próprias questões e conclusões.
Mas, de todo o contexto bíblico, o que mais me deixa perplexo é a história de Jesus, que casualmente é muito parecida com a de outros deuses mitológicos anteriores a ele, mas isto é outra história, deixemos para outra hora. A bíblia afirma que Jesus é seu único filho e que veio ao mundo para sofrer por nós e nos livrar do pecado original. Não seria mais fácil você ter arrumado as coisas de outra maneira, afinal você é o todo-poderoso, não é mesmo? Por que, mais uma vez, tem de haver um derramamento de sangue? Qual pai legaria ao filho tal “sorte” de sofrimento e de humilhações? Nós, seres humanos, pecadores e imperfeitos, em sua imensa maioria, costumamos sempre poupar os nossos filhos de qualquer agrura e, podendo, preferimos sofrer por eles ao invés de deixá-los à própria sorte. É a natureza humana, que me parece mais “humana”, vista assim, não é mesmo? Mais uma vez você me parece aquele amigo que falei antes, o que constroi, constroi, arruma, monta e desmonta mas nunca fica com a casa da maneira que ele gostaria. No caso dele é incompetência, mas qual termo eu deveria usar no seu caso?
Jesus teria dito que devemos amar o próximo. Acho até muito interessante esta visão, mas como amar um bandido que eventualmente venha a fazer mal a alguém que amamos por vontade e não por imposição? Não era mais fácil, mais uma vez, você ter banido de nós o instinto animal da brutalidade? Se você tivesse, na primeira demonstração de erro de sua criação, arrumado definitivamente, colocado as coisas como você gostaria que elas fossem. Pouparia muita desgraça e muita morte desnecessária... E acho que amar deve ser algo espontâneo e nunca imposto.
Você dirá que temos o livre arbítrio, mas o que exatamente há de livre quando a opção só tem uma via? Ou aceitamos inquestionávelmente as suas imposições, ou sofreremos eternamente no inferno? Ser “pai” é ser guia e não ditador.
Tenho várias questões para colocar, mas não tenho tempo para expô-las todas, ficaria cansativo para você e para mim e sei que você deve ser muito ocupado ai no paraíso, seja lá onde for tal lugar. Lembro-me de toda diferença filosófica que há entre o Antigo Testamento, com regras ditada por você, e o Novo Testamento, com regras colocadas por Jesus, seu filho, que falou em nome de quem o mandou aqui, no caso, você. Olho por Olho, depois, dar a outra face. Louvar os sábados e dias santos e depois Jesus afimar o contrário. Apedrejar a mulher adúltera e depois Jesus dizer que devemos perdoar. Enfim, são inúmeras diferenças entre uma lei que você nos colocou e depois parece que mudou de idéia. Você também muda de opinião de tempos em tempos? Pensei que um ser, todo poderoso, que tudo sabe e tudo vê, não erraria, como fez com sua criação e não mudaria de idéia com o passar dos séculos, mas parece que me enganei.
Deixo aqui então estas pequenas questões, na esperança de ser respondido, apesar de que tenho minhas dúvidas de que você irá responder, porque se você realmente existe, o que eu deixo bem claro que não acredito, acho que nem você ao certo sabe as respostas.
Um abraço de um ateu que preferiu a liberdade de pensar pela própria cabeça ao invés de escravizar-se por lendas escrituras antigas.
Aguardo as respostas.
Caríssimo também me lembra a palavra “caro”, sinônimo de dispendioso, oneroso e reporta á idéia de valores extremos, pecuniariamente falando, pois sabemos que na história da humanidade, nada e nem ninguém, arrecadou (e ainda arrecada) tantas riquezas como o seu nome e o nome de seu filho, que segundo alguns seria você mesmo. Nada lucrou tanto como a idéia de um deus amoroso, mas que castiga cruelmente caso você ouse a questionar este amor que só aceita uma forma de se amar –a sua- e de seu filho que teria vindo ao mundo para sofrer e nos livrar de um pecado que não fomos nós quem cometemos e mesmo assim, não nos livramos desse “pecado”. São por essas e outras questões obscuras que eu gostaria de conversar com você para tentar entender esse caminho tortuoso e humilhante que nós, seres humanos, devemos percorrer para sermos aceitos pelo seu “amor incondicional” que impõe inúmeras condições para a nossa salvação, seja lá o que isso signifique... Então vamos recomeçar:
Caríssimo deus, tenho lido muito o seu livro sagrado, a bíblia, e quanto mais eu leio, mais sinto que algo (ou vários algos, se é que existe tal expressão) não se encaixa. Quero começar pela criação, que segundo consta na história bíblica, você criou Adão e Eva, que seriam os nossos ancestrais primeiros, colocando-os em um paraíso e afirmando que seria o tal casal criado a imagem e semelhança de seu criador, ou seja, de você. Depois lhes proibiu de provar o fruto de uma árvore, o que lhes permitiria um conhecimento acerca do bem e do mal. Interessante essa história...
Se nós fomos criados a sua imagem e semelhança, na figura de Adão e Eva, no que consiste essa “imagem e semelhança”? Imagem e semelhança física? Não creio... Segundo a unanimidade dos estudiosos religiosos, chamados teólogos, essa semelhança entre criador e criatura seria consubstancial. Teríamos sido criados com a mesma essência do criador, teríamos os mesmos anseios, capacidade de entendimento e de raciocínio de quem nos criou, guardadas as devidas proporções, é claro. Mas, sendo assim, você não anteveria (já que, de acordo com os teólogos, você é onisciente) que o casal primeiro indubitavelmente acabaria por experimentar o tal fruto proibido? Pois se somos feitos a sua imagem e semelhança algo me diz que a curiosidade, a sanha pelo desconhecido e pela novidade nos foi herdado de você, ou estou enganado? Ou por um acaso você, que é perfeito, nos cria de uma maneira imperfeita, sabendo de nossos defeitos e aguçando-os para poder nos castigar depois? Isto não é muita maldade? É como criar um hamster dentro de uma gaiola e colocar a comida em uma ratoeira só para testá-lo. É disso que consiste o seu amor incondicional? Não seria mais fácil ter-nos feito perfeitos de uma vez? O que aconteceu então no Éden? Um experimento? A raça humana foi castigada eternamente porque você fez uma pequena experiência, mesmo sabendo de antemão o resultado? Você parece que gosta de “joguinhos”, como fez com Jó, Jonas, Abraão e tantos outros...
Eu vejo por mim, através da relação que tenho com os meus filhos. Quero que eles adquiram a maior quantidade possível de conhecimento, através do estudo, da educação e da informação, mesmo que isto signifique que eles venham a adquirir, no futuro, mais experiência e sabedoria do que eu. Não tenho medo de que, amanhã ou depois, eles venham a me superar nesses quesitos, muito pelo contrário, terei um imenso orgulho de pai ao saber que todo o apoio que dispensei para que eles tenham uma formação intelectual e saibam usar a capacidade de raciocínio que possuem tenha valido a pena, mesmo que isso signifique que a opinião deles venha a ser diferente da minha em determinados assuntos; quero que eles possuam a capacidade própria de tomar decisões e de formular suas conclusões acerca do mundo que os cerca. Não tenho o medo da superação, o que parece não ocorrer com você...
Outra coisa que me deixa curioso é o fato de que um ser que, segundo consta, seria perfeito, haver criado a imperfeição em sua mais importante criação: o ser humano. Pois veja, primeiro você criou o mundo, os seres e o homem e ficou feliz achando que estava tudo bem, depois expulsou Adão e Eva pelo fato de que eles não corresponderam a sua expectativa, depois foi o dilúvio, que não deu certo, pois os seres humanos pós-dilúvio não foram aquilo tudo que você esparava deles. Tem Jesus também, que mais uma vez, dentro de um contexto sangrento -o que me parece ser o sua expecialidade- teve de morrer para purgar os nossos pecados (aquela história que não ficou muito clara ainda, mas tudo bem...), sem falar em sodoma e uma vasta gama de soluções sangrentas que você teve de tomar por causa de que, como um mau carpinteiro, os pilares de sua criação, de tempos em tempos, vai ruindo. Talvez você, ou algum defensor ferrenho seu, venha me dizer que a culpa é nossa e não sua, mas tenho minhas dúvidas quanto a isto...
Tenho um amigo que trabalha na construção civil e decidiu construir sua própria casa. Faz uns 15 anos que ele, nos momentos em que está em de folga do trabalho, constroi, edifica, move o concreto, enfim... Chega um dia que ele olha e diz: perfeito, é isto mesmo, está ótimo! – passam-se alguns meses e aparece uma infiltração de água aqui, uma rachadura na parede ali e assim por diante, então ele recomeça, destroi aqui, constroi ali e assim sucessivamente, numa construção que parece não ter mais fim. A quem devemos culpar nesse caso? A casa ou o construtor?
Outra dúvida que me corroi por dentro: qual o motivo na sua insistência quase doentia de ser idolatrado? Claro que no seu caso até deveria ocorrer uma consideração paternal e tudo mais, mas você exagera um pouco. Todas es exigências que fez a Moisés, coitado, com querobins de ouro, vestes caríssimas (fico imaginando de onde saiu tantou ouro para satisfazer as suas exigências, já que estamos falando de um povo que vagou no deserto, sedento e sem ter praticamente o que comer...) e os sacrifícios carnificínicos que você tanto gostava (depois mudou de idéia, não é mesmo..?).
Veja por exemplo o caso dos 10 mandamentos, onde os 4 primeiros são exclusivamentes uma alusão à adoração e ao respeito que devemos ter para com você e somente os demais referem-se ao convívio entre os homes, como não matar, não roubar e etc... Jesus teria afirmado: amar a deus sobre todoas as coisas e amar o próximo como a si mesmo”, mais uma vez vem em primeiro plano a suprema idolatria de que você tem necessidade. Por que tudo isso? Não falta ai um pouquinho de humildade? “Mas trata-se de deus!” - Você ou algum defensor automaticamente dirá... Sim, até concordo, mas diante das narrativas e exigências bíblicas, o que nos dá a entender e que você nos criou com o único objetivo de enautecê-lo, e quem não o fizer será castigado eternamente. Não quero criticá-lo abertamente assim, já que me dispus a uma conversa com você, na tentativa de entender inúmeros pontos que não se encaixam em sua filosofia bíblica. Você certamente me diria, se viesse a me responder, que eu devo acreditar cegamente, jamais questionar e aceitar hipnoticamente, como fazem inúmeras pessoas pelo mundo afora, que preferem não raciocinar e que passam a vida gritando ao quatro ventos que acreditam e serão salvas, sem saber ao certo no que acreditam e de que realmente serão salvas. Mas o mundo já não é mais assim, as coisas mudam e a figura do pai autoritário que impõe aos filhos apenas um ponto de vista e que castiga severamente aqueles que ousam questioná-lo está fora de moda. O pai que hoje faz o filho ajoelhar-se no milho e que usa a chibata como educação é passível de responder criminalmente os seus atos. Temos uma justiça capenga, é verdade, mas estamos tentando ajustar as coisas e fazer com que a injustiça seja banida. E eu acho uma extrema injustiça condenar uma pessoa eternamente às mais humilhandes agruras somente pelo fato de pensar racionalmente e de ter o poder de formular suas próprias questões e conclusões.
Mas, de todo o contexto bíblico, o que mais me deixa perplexo é a história de Jesus, que casualmente é muito parecida com a de outros deuses mitológicos anteriores a ele, mas isto é outra história, deixemos para outra hora. A bíblia afirma que Jesus é seu único filho e que veio ao mundo para sofrer por nós e nos livrar do pecado original. Não seria mais fácil você ter arrumado as coisas de outra maneira, afinal você é o todo-poderoso, não é mesmo? Por que, mais uma vez, tem de haver um derramamento de sangue? Qual pai legaria ao filho tal “sorte” de sofrimento e de humilhações? Nós, seres humanos, pecadores e imperfeitos, em sua imensa maioria, costumamos sempre poupar os nossos filhos de qualquer agrura e, podendo, preferimos sofrer por eles ao invés de deixá-los à própria sorte. É a natureza humana, que me parece mais “humana”, vista assim, não é mesmo? Mais uma vez você me parece aquele amigo que falei antes, o que constroi, constroi, arruma, monta e desmonta mas nunca fica com a casa da maneira que ele gostaria. No caso dele é incompetência, mas qual termo eu deveria usar no seu caso?
Jesus teria dito que devemos amar o próximo. Acho até muito interessante esta visão, mas como amar um bandido que eventualmente venha a fazer mal a alguém que amamos por vontade e não por imposição? Não era mais fácil, mais uma vez, você ter banido de nós o instinto animal da brutalidade? Se você tivesse, na primeira demonstração de erro de sua criação, arrumado definitivamente, colocado as coisas como você gostaria que elas fossem. Pouparia muita desgraça e muita morte desnecessária... E acho que amar deve ser algo espontâneo e nunca imposto.
Você dirá que temos o livre arbítrio, mas o que exatamente há de livre quando a opção só tem uma via? Ou aceitamos inquestionávelmente as suas imposições, ou sofreremos eternamente no inferno? Ser “pai” é ser guia e não ditador.
Tenho várias questões para colocar, mas não tenho tempo para expô-las todas, ficaria cansativo para você e para mim e sei que você deve ser muito ocupado ai no paraíso, seja lá onde for tal lugar. Lembro-me de toda diferença filosófica que há entre o Antigo Testamento, com regras ditada por você, e o Novo Testamento, com regras colocadas por Jesus, seu filho, que falou em nome de quem o mandou aqui, no caso, você. Olho por Olho, depois, dar a outra face. Louvar os sábados e dias santos e depois Jesus afimar o contrário. Apedrejar a mulher adúltera e depois Jesus dizer que devemos perdoar. Enfim, são inúmeras diferenças entre uma lei que você nos colocou e depois parece que mudou de idéia. Você também muda de opinião de tempos em tempos? Pensei que um ser, todo poderoso, que tudo sabe e tudo vê, não erraria, como fez com sua criação e não mudaria de idéia com o passar dos séculos, mas parece que me enganei.
Deixo aqui então estas pequenas questões, na esperança de ser respondido, apesar de que tenho minhas dúvidas de que você irá responder, porque se você realmente existe, o que eu deixo bem claro que não acredito, acho que nem você ao certo sabe as respostas.
Um abraço de um ateu que preferiu a liberdade de pensar pela própria cabeça ao invés de escravizar-se por lendas escrituras antigas.
Aguardo as respostas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário