Allan Kardec era o pseudônimo do pedagogo e professor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, que viveu entre 1804 e 1869 e é o responsável pelo que conhecemos como espiritismo moderno ou kardecismo, doutrina religiosa (denominação da qual seus adeptos não gostam muito) que tenta juntar elementos do hinduismo antigo, onde a “alma” humana está presa em uma corrente eterna de reencarnações, com um leve toque de ciência, já que Kardec escreveu suas principais obras sob o alvoroço da teoria da evolução, culminada por Darwin e Wallace em 1858 e suas obras lançadas conjuntamente.
Vendo que a teoria da evolução iria colocar o mundo sob uma nova perspectiva acerca do papel do homem, fazendo-o descer do altar sagrado colocado pelo cristianismo de “imagem e semelhança de deus” e colocá-lo ao lado das demais espécies de animais que conhecemos, Kardec resolveu então fomentar seus escritos sob a ótica de que os espíritos também passam por um processo evolutivo a cada ida e vinda do além para o mundo material que conhecemos.
Para entendermos melhor as inspirações espirituais de Kardec, temos de verificar o que aconteceu poucos anos antes do professor francês começar seus escritos e sua peregrinação, mais exatamente no ano de 1848, em Nova York, EUA, onde uma família metodista chamou a atenção do mundo para os ditos fenômenos paranormais: a família Fox, no caso que ficou conhecido como os das “Irmãs Fox”.
As irmãs Fox, Margareth e Katherine, juntamente com sua família, haviam mudado-se há pouco menos de um ano para a nova casa, em Hydesville, casa esta que já possuia uma fama de mal-assombrada, onde os antigos inquilinos afirmavam ouvir barulhos estranhos e até algumas aparições fantasmagóricas... Foi um show do além quando as irmãs começaram a comunicar-se com os espíritos através de batidas na madeira, que eram respondidas instantaneamente, por meio de códigos (lembrando que, na mesma época, inaugurava-se a era dos telégrafos). Dizia-se que era o espirito de um mascate que morrera e fora enterrado no porão da casa e que, apesar de inúmeras buscas, nunca encontrou-se os restos mortais do infeliz no porão, mas, estranhamente, em 1904, mais de 50 anos após o início das farra espirutual, foi encontrado um esqueleto nas paredes da casa (e não no porão), esqueleto este que estrategicamente, sumiu em um incêndio. Digo estrategicamente pelo fato de que o dito esqueleto sumiu exatamente em uma época em que a ciência forense e investigativa tomava forma, com melhores aparelhamentos e condições de estudo e trabalho.
Bem, o circo estava armado. A família Fox ganhou rios de dinheiro e nadou a favor da maré, embalada pela ingenuidade do povo e pela falta de condições tecnológicas mais apuradas para se fazer uma investigação conclusiva. Algumas investigações, três, para ser mais exato, foram feitas na época e há de se dizer: não descobriram nenhuma fraude, fato este que é usado como um trunfo pelos espíritas do mundo todo, mas eles não gostam muito de lembrar da frase usada pelo primeiro comitê, composto por pessoas leigas, que concluiu que “os sons foram ouvidos, mas falharam completamente em descobrir os meios pelos quais foram gerados”. Vejam que a falta de uma explicação mais racional costuma levar as pessoas a aceitar o inexplicável como sendo algo sobrenatural e alardeiam isto aos quatro ventos como verdade absoluta e inquestionável.
Depois de muito blablablá sobre o assunto, e para encurtá-lo, o mundo dos espíritos estava em ebolição. Médiuns e paranormais apareciam aos milhares e os espíritos nunca tiveram tanto assunto como naquela época. Foi quando, após muitos escândalos dentro da família Fox ( e depois de muita grana arrecadada), Katherine e Margareth confessaram que tudo não passara truques baratos, onde as batidas em código nada mais eram do que de estalos com os dedos dos pés, entre outros truques simples. Mas a verdade, para quem necessita viver sob uma ótica mística, funciona como mentira e vice-versa. Ninguém quis acreditar, pouco se falou a respeito das confissões, diferentemente de quando se acreditava tratarem realmente de manifestações espirituais. Eis o mundo dos crédulos.
Voltando a Kardec. O ambiente, em meados do século dezenove, estava propício para que alguém como francês bom de matemática viesse a se interessar pelo assunto e compor uma quantidade enorme de obras e publicações, conhecidas até hoje. O advento das irmãs novaiorquinas acendeu uma paixão mundial pelo “mundo do invisível” e Kardec caiu de amores pelo assunto. Juntou as bases da religião hindu, no que tange à reencarnação” e moldou tudo ao gosto da época em que a ciência definitivamente enterrava o obscurantismo religioso católico.
Mas Kardec era um homem do século dezenove e, como tal, só poderia ir até onde a ciência tinha chegado. Ele afirmava que os espíritos superiores lhe ditavam todo o conhecimento que possuiam e ele ia colocando tudo no papel (que aceita tudo, não é mesmo?). E com isto compôs um festival de asneiras, do ponto de vista científico. Kardec chegou ao ponto de afirmar em seus escritos, principalmente na Revue Spirite, absurdos que hoje, para nós do século XXI, é algo que soa a lendas de antigos povos tribais. Entre os absurdos científicos que foram transmitidos pelos “espiritos superiores” a Kardec estão coisas como “os cometas seriam mundos em via de formação”, “a criança no ventre materno é algo como um vegetal” (contrariando os estudos atuias acerca do assunto), “habitantes na lua e em Marte”, “povos arquitetonicamente bem avançados em Jupiter”, “planeta chamado Juno no sistema solar” . No livro “A Gênese”, Rivail erra grotescamente em dados acerca da cosmologia espacial, inclusive sobre o número de satélites dos planetas de nosso sistema, e olha que tudo foi ditado, entre outros, por nada mais, nada menos, do que o espírito de Galileu Galilei. Que responsa..!
Camilo Flammarion, cientista que ajudou Kardec a escrever “A Gênese”, disse alguns anos depois: "São evidentemente o reflexo do que eu sabia, do que pensávamos naquela época sobre a cosmogonia". O que só prova que, ou os “espíritos superiores não possuem nada de superior ou Kardec e seus asseclas estavam muito, mas muuuito mal intencionados (ou fumaram alguma coisa não muito ortodoxa, vai saber, algo como o Kerouak do espiritismo...)
No Brasil não foi muito diferente. Somos brasileiros e sabemos do caráter crédulo do nosso povo, onde até o INRI Cristo (isto mesmo, aquele doido que tá sempre no Jô) vira messias, imagine então uma religião fundamentada em espíritos em um país com um sincretismo reliogioso tão intenso, onde temos cultos afros como o candomblé, xangô, batuque e a macumba, que tratam do mesmo assunto. Com isso se criou a máxima de que o espiritísmo de Kardec, de origem européia, seria a religião dos brancos e da classe média, ao passo de que as religiões afros seriam a do populacho. Os espírito também são elitistas...
Aqui no Brasil tivemos gente como, Adolfo Bezerra de Menezes, Divaldo Franco, Yvonne Pereira, entre outros, mas ninguém teve tanta relevância no asunto quanto Chico Xavier, que na foto acima aparece no embuste, junto com o também médium Antônio Feitosa, do “ectoplasma de pano”. Fotos como esta encontramos aos montes na internet, mas é claro que os defensores do médiu afirmam que são falsas.
Chico Xavier incorreu no mesmo erro de Kardec: tranformou a ciência em um conto de fadas grotesco. Ainda bem que não se usam os livros dele nas escolas, senão, coitadas de nossas crianças. Em alguns livros Chico afirmava besteiras como “a tuberculose teria causas espirituais e divinas e que não seriam curadas por comprimidos” (hoje curam-se com uma símples vacina), que “os primeiros seres vivos a habitarem a terra foram os vírus”, que “os cromossomas, durante a divisão celular, se moviam por um impulso mental” (ai...), que “a vida na terra sugira a 1,5 milhões de anos”, entre outras bobagens... Tudo isso, como fora no caso de Kardec, ditado por espíritos superiores que deveriam saber mais do que nós acerca do funcionamento do mundo e das coisas em sua volta. Nota-se que, mais uma vez, os embusteiros de plantão usam inúmeras estratégias vis para enganar os tolos.
Amauri Pena, sobrinho de Chico Xavier e que, como seu tio, psicografava, em 1958 afirmou para a imprensa: "Tudo o que tenho psicografado até hoje, apesar das diferenças de estilo, foi criado por minha própria imaginação, sem que precisasse da interferência de outro mundo", e também "Tenho uma obra idêntica (ao "Parnaso do Além Túmulo", obra escrita por seu tio Chico) e, para fazê-la, não recorri a nenhuma psicografia". Foi considerado um traidor e suas declarações abafadas. O Judas do espiritismo...
Não vou afirmar, e nem seria louco a este ponto, de que todos os médius e espíritas declarados ajam de má fé. Muitos são crédulos e possuem realmente uma boa vontade e entregam-se àquilo que fazem, mas, na maioria das vezes são enganados cruelmente pelos espertos de plantão que, desde que o mundo é mundo, usam os artifícios da religião e do misticismo para adquirir alguma forma de proveito pessoal. Muitos studiosos acreditam que os fenômenos envolvendo espíritos e seres humanos advém do subconsciênte, e sabemos que o nosso cérebro, este território ainda obscuro em termos de conhecimento, é capaz de reproduzir as mais variadas situações, desde que estejamos sujeitos a ceitá-las. Um cético não costuma ver ou falar com espíritos, você deve estar condicionado a crer para que veja, sinta ou comunique-se com o sobrenatural.
As publicações espíritas estão, aqui no Brasil, entre as mais vendidas e as que mais arrecadam financeiramente. Os livros de Zibia Gasparetto, escritora de temas espíritas, vendem qual banana na feira, só que, diferentemente do feirante, ganha milhões por ano com a venda de suas estórias. Existem inclusive livrarias especializadas exclusivamente em “obras do além-túmulo”, enquanto grandes escritores não conseguem publicar seus livros. Esta é a triste realidade de um país sem cultura e informação.
Dos ditos fenômenos espíritas, nenhum –repito: NENHUM- até hoje foi comprovado como verídico e irrefutável, ainda mais porque, nos lugares onde acontecem, dificilmente aceita-se o crivo de um especialista em desmascarar tais encenações. Mas notícias de embustes temos aos montes, assim como muita lenda, fatos que jamais a conteceram e que, contados de boca em boca, tornam-se verdades para os mais tolos.
Sei que todos gostariam de ter o conforto de saber que um parente ou amigo muito próximo que já faleceu continua vivo de alguma forma e que, amanhã ou depois, haverá um reencontro emocionante. Esta idéia é inerente ao ser humano desde épocas imemoriais e, muito provavelmente, advém daí a fantasia do sobrenatural e da vida após a morte, juntamente com os sonhos, onde os nossos antepassados, ao sonharem com os seus entes mortos, adicionaram a isto a esperança de que seus parentes e amigos que já “partiram” estariam bem em algum outro lugar melhor do que este mundo que conhecemos. Somando estes fatores e mais a observação dos fenômenos naturais antes inexplicáveis, como raios, trovões, ciclos lunares, entre outras coisas, lançavam-se ai as bases das religiões e nasciam os deuses. O monoteismo judáico-cristão alega que deus criou o homem a sua imagem e semelhança, mas a verdade é que o homem cria os seus deuses a sua imagem, semelhança e de acordo com suas necessidades.
O ser humano, por ser o animal com o raciocínio mais apurado (sim, pois diferentemente do que alguns românticos religiosos pregam, o ser humano não é o único animal que raciocina e sim aquele que desenvolveu melhor esta capacidade) cria suas esperanças e escraviza-se em seus devaneios. Temos a estranha mania de valorizar as pessoas só depois que elas morrem. A morte é, ainda, um território fértil para lendas, estórias e fantasias. Isto até não chega a ser uma coisa reprovável, mas quando aceitamos ilusões sem nenhuma base empírica e as aceitamos como verdade absoluta, é porque há algo errado em nossa capacidade de lidar com a realidade, além de fazer com que charlatões e aproveitadores lucrem com nossa ingenuidade.
Muito instrutivo!
ResponderExcluirOlá, meu irmao! Respeito o seu ponto de vista, respeito a sua religião seja qual for. Mas o estudo e a evolução pisiquica do homen. O homen so e homen apatir dos seu conhecimento, que ira gerar seus atos. Paramos e pensamos, kardec pode ter falado para você absurdos, como foi absurdos para a epoca, pos até os grandes cientistas e filosofos se supreenderam. Apos anos de estudo muita coisa que esta na codificação de kardec ja foi provada, outras tantas n está ao nosso alcance perceber. Sera que existe vidas em outros planetas? Claro que sim, pos vc n acreditar nissso e vc n acreditar no poder de Deus. Para que existe os planetas então? Eu afirmo, existe sim vidas em outros planetas, nos que somos imperfeitos, e não estamos prontos parar ver. Nossa materia ainda e rude, ignorante, imperfeita, grotesca.
ResponderExcluirOs componentes da academia de letras do brasil, ficaram espantados, com os poemas do parnaso a individualidade de cada escritos foi exposta. Eu aposto que vc nunca leu, para falar. Se pessoas da academia brasileiras de letras ficaram chocadas imagine nos, escritores de blogs na internet. Chico pode ter saido uma farça ao seu ver, mas ao ver de todo o resto do brasil ele e um enviado de Deus para provar, consolidar os ensinamentos espiritas. Vc deveria se intimidar ao julgar um espirito puro. Existe um aparelho chamado Aurometro, que mede a aura fluidioca do nosso espirito, a de chico a Km de distancia o aparelho ja estava louco, enquanto nos precisamos encostar no corpo para q ele comece a ruir. Vc sabe o que eh Aura fluidica? Nos somos imperfeitos e n coompreendemos o que Deus realmente quer de nos. mas espero que antes de vc escrever mais uma vez Besteiras, Absurdos, Mentiras grotescas, procure estudar mais sobre a sua doutrina religiosa, para então conseguir convencer a todos os seus leitores.
Que jesus vos abençoe e vos proteja.
A física quântica também parece absurda se tomada superficialmente e descontextualizada, mas pelo seu tom acredito que não duvide de nada que seja publicado sob sua tutela, não é mesmo?
ResponderExcluirNão julgue um livro pela capa.